
Guiados pelo Espírito ou parados na margem?
11 de Janeiro de 2026Quase a completar treze anos, A Alegria do Evangelho mantém-se como «sopro novo», referência decisiva para este tempo de conversão pastoral e missionária. O que é que ainda cheira a conservação e o que é que estás disposto a “queimar” para que a missão possa arder e iluminar?
IGREJA
Comunicar o amor de Deus é a primeira finalidade da missão da Igreja, lembra Leão XIV, na carta enviada aos cardeais. A Igreja, por isso, em toda a parte e qualquer que seja a sua dimensão local, é chamada a viver com coragem e a ser portadora de esperança para todos.
O pontífice volta a sinalizar o esgotamento da pastoral de conservação, modelo focado em manter as estruturas, e a urgência de implementar a conversão à pastoral missionária.
A partir do magistério do Papa Francisco exposto na Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, Leão XIV solicita uma avaliação honesta sobre três eixos: a reforma dos percursos de iniciação cristã, combatendo a ideia de uma fé meramente recebida por tradição; a valorização das visitas apostólicas e pastorais como momentos de primeiro anúncio e de crescimento na qualidade das relações; a reconfiguração da comunicação eclesial, de modo que seja menos autorreferencial e mais explicitamente missionária. Estas também podem ser as bases de uma auditoria a implementar na nossa arquidiocese, nas paróquias e comunidades, com todos os demais grupos eclesiais.
Esta importância reflete-se no desafio que lança à Igreja a todos os níveis e que, entre nós, podemos sintonizar com os trilhos do Caminho de Páscoa: a nível pessoal, com o apelo a que cada batizado, pelo primado da oração, renove o seu encontro com Jesus Cristo (Oração e vida espiritual; Conversão ao Evangelho); a nível comunitário, com a já referida transição da conservação para a pastoral missionária, a fim de se constituírem comunidades atentas à qualidade das relações (Servir e acolher a todos; Alargar os horizontes da missão); a nível diocesano, com o discernimento focado no essencial, evitando que o ardor missionário seja sufocado por excessos organizativos e burocráticos (Avaliação sobre a missão; Participação ativa e criativa).
Quase a completar treze anos, A Alegria do Evangelho mantém-se como «sopro novo», referência decisiva para este tempo de conversão pastoral e missionária. O que é que ainda cheira a conservação e o que é que estás disposto a “queimar” para que a missão possa arder e iluminar?



