
A sintaxe da máquina e a semântica do coração
17 de Maio de 2026Podemos imaginá-la ali, naquele ambiente caloroso do Cenáculo, partilhando as suas memórias, algumas delas sobre a infância e a adolescência de Jesus, com aquelas mulheres e homens, nos quais a esperança começava a florescer de novo.
MARIA
Certamente, a jovem de Nazaré não rezava o terço nem meditava a Via-Sacra, não ia à missa todos os dias, não praticava a adoração eucarística, não conhecia as novenas ou as devoções populares que nos são familiares.
O livro dos Atos dos Apóstolos (no capítulo 1, versículo 14) relata um episódio entre a Ascensão e o Pentecostes, sobre o qual diz que todos os apostólos «perseveravam unidos em oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais Maria, Mãe de Jesus».
Podemos imaginá-la ali, naquele ambiente caloroso do Cenáculo, partilhando as suas memórias, algumas delas sobre a infância e a adolescência de Jesus, com aquelas mulheres e homens, nos quais a esperança começava a florescer de novo. Memórias que ela, como mãe, tinha guardado no coração, como registou o evangelista sobre os primeiros acontecimentos depois do parto e, doze anos depois, aquando da perda e do encontro do filho no templo de Jerusalém. Reconhecemos a sucinta expressão: «Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração». Não é esta atitude um belo modo de rezar? Um olhar atento e uma escuta paciente, um coração tanto admirado como assombrado, que não descarta nada do que não compreende nem se preocupa em forçar os acontecimentos.
A oração de Maria também é caminho, em constante movimento: em direção à montanha para visitar Isabel, em direção a Belém, em direção ao Egito, em direção a Nazaré, em direção ao templo, em direção ao Calvário. Em todos estes movimentos haveria de ecoar no seu coração a profecia de Simeão: uma espada de dor que se viria a tornar num raio de luz pascal.
Maria, como judia, conheceria as Escrituras, os salmos, os profetas, os provérbios, a sabedoria e as histórias do seu povo. A oração dela começa na docilidade para a escuta que se converte em diálogo: «Como será isto?». O normal desejo de compreender faz-se espaço para uma profunda relação com Deus: «Faça-se em mim segundo a tua palavra». Confia e compromete-se.
Como era a oração de Maria? A resposta é-nos dada pela própria: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus»!




