
A melodia da Páscoa, no ritmo dos dias
9 de Maio de 2026Maio é o «mês de Maria». Embora muitos associem esta devoção à memória luminosa de Fátima, a tradição de consagrar este tempo à Mãe de Deus tem raízes mais distantes.
MARIA
No início deste mês, o Papa Leão XIV convocou-nos para rezar juntos o terço pelas suas intenções, em particular pela comunhão da Igreja e pela paz no mundo.
Maio é o «mês de Maria». Embora muitos associem esta devoção à memória luminosa de Fátima, a tradição de consagrar este tempo à Mãe de Deus tem raízes mais distantes.
Já no século XVII, se organizavam exercícios espirituais de trinta dias em honra da Virgem, apesar de nem sempre ocorrer em maio. Recuando ainda mais, até ao século XII, encontramos períodos devocionais ligados às grandes festas marianas, entre 15 de agosto e 14 de setembro.
Há, nesta preferência pelo mês de maio, uma harmonia com a própria natureza. Na Antiguidade clássica, este era a época de honrar Ártemis (deusa grega da fecundidade) ou Flora (deusa romana da vegetação). O início de maio era comemorado como apogeu da primavera, com jogos florais e outras atividades lúdicas. Viu então a Igreja nestas tradições um gancho para a evocação mariana. São Filipe Néri, por exemplo, com a sua alegria, reunia as crianças para oferecerem a Maria as flores que brotavam da terra, ensinando que a santidade é o desabrochar espiritual.
Nas invocações da Ladainha Lauretana, chamamos a Maria «Rosa Mística». Como notou John Henry Newman, ela é a mais linda flor espiritual. É desta mística que nasce o vocábulo «rosário», que em latim significa um campo de rosas; em francês, chamam-lhe chapelet, uma coroa de flores que depomos aos pés da Virgem Santa.
«Rezai o terço todos os dias» pela paz no mundo é um apelo que ecoa desde o início da mensagem de Fátima. O Rosário, escreveu João Paulo II, é «uma oração orientada para a paz, porque consiste na contemplação de Cristo, Príncipe da paz e “nossa paz”. [...] Além disso, devido ao seu caráter meditativo com a serena sucessão das “Avé Marias”, exerce uma ação pacificadora sobre quem o reza, predispondo-o a receber e experimentar no mais fundo de si mesmo e a espalhar ao seu redor aquela paz verdadeira que é um dom especial do Ressuscitado».
Façamos deste mês um tempo de flores e de orações que frutificam em gestos de paz.




