
Como era a oração de Maria?
23 de Maio de 2026SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE, ANO A
Deus envia o seu Filho, por obra do Espírito Santo, para a salvação do mundo. É a maior prova de amor de Deus por todos e cada um de nós. A nossa humilde resposta só pode ser esta: «Digno é o Senhor de louvor e de glória para sempre».
Corações ocupados
Estamos no século XVII, em Paris. Vamos ao encontro de um homem que passava os dias a descascar batatas e a lavar panelas ou a consertar sandálias. Vamos conhecer o Irmão Lourenço da Ressurreição. Falou-nos dele o Papa Leão XIV, dizendo que foi um dos seus maiores influenciadores, que mais o «instruíram sobre qual possa ser o caminho para conhecer e amar o Senhor». O livro chama-se A prática da presença de Deus.
Hoje, celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade. O perigo é acharmos que se trata apenas de um mistério complicado. Reparemos, porém, no que diz a Segunda Carta aos Coríntios: «Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz. E o Deus do amor e da paz estará convosco».
O segredo, ensina-nos frei Lourenço, consiste em fazer memória da presença de Deus. Parece simples! A nossa dificuldade é esvaziarmos a mente e o coração. Temos a mente cheia de notificações e de listas de tarefas, o coração demasiado ocupado com ressentimentos e tristezas. Sede alegres. Animai-vos uns aos outros. Quando o teu coração está superlotado, Deus fica à porta, não vives em paz.
Imaginem que convidam o vosso melhor amigo para jantar. Ele chega, senta-se no sofá e vocês, em vez de conversarem com ele, passam a noite inteira a olhar para o ecrã do telemóvel ou a arrumar a casa. Mas é isso que fazemos! Deus está connosco e nós agimos como se estivéssemos sozinhos.
Será que temos de passar a vida na igreja ou num convento? O irmão Lourenço escreveu: «Não é necessário estar sempre na igreja para estar com Deus: podemos fazer dos nossos corações um oratório» e conversar com o Senhor «de forma doce, humilde e amorosa». Todos somos capazes, uns mais, outros menos. Basta uma conversa familiar com o Senhor, «uma pequena lembrança de vez em quando, um pequeno ato de adoração» ou «fazer pequenas coisas por amor a Deus». Podes falar com Deus enquanto conduzes, podes adorá-lo enquanto respondes no WhatsApp, podes oferecer-lhe o teu cansaço enquanto geres um problema familiar ou uma discussão no trabalho. É a arte de viver acompanhado. Deus «está mais perto de nós do que pensamos».
Se a tua vida terminasse hoje, dirias que passaste os dias a caminhar com Deus ou viveste os dias a ignorar o hóspede que habita no teu peito? Esta semana, vais criar um momento de silêncio radical na tua rotina. Nos primeiros minutos do trajeto para o trabalho, para a escola, ou ao acordar, enquanto te preparas, vais manter tudo desligado. Não há rádio, não há música, não há redes sociais, não há televisão. Fecha os olhos da tua mente, respira, dispõe o coração, e saúda o hóspede. Vais dizer-lhe: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Senhor, habitas em mim, e eu estou aqui contigo.




