
Senhor, ajuda-me a olhar
5 de Julho de 2025
A coragem de permanecer junto à cruz
15 de Setembro de 2025DÉCIMO QUARTO DOMINGO, ANO C
A missão de anunciar a alegria do Evangelho e a proximidade do reino de Deus é confiada a todos os discípulos. Hoje, como ontem, o Senhor conta connosco e dá-nos a garantia da sua própria autoridade para cumprirmos esta missão.
“Está perto de vós o reino de Deus”
O conteúdo da missão é tão essencial que tudo o resto se torna secundário. Os enviados são convidados a não ter sequer o essencial; e a prioridade exige que não se percam «a saudar alguém pelo caminho», mas que prossigam com diligência na missão.
Levam consigo um valioso tesouro: a paz do reino de Deus, a paz oferecida, não imposta, que vai ao encontro da aceitação e da recusa, à qual cada homem e cada mulher pode dizer sim ou não. Quando acolhida, torna-se expressão da proximidade de Deus: “Está perto de vós o reino de Deus”.
Peregrinos e indefesos, os discípulos não são, no entanto, abandonados à sua sorte. A confiança em Deus é o seu escudo diante das dificuldades e perigos. Como nada levam consigo, aprendem a viver do acolhimento e da hospitalidade, da partilha daquilo que lhes for dado para comer e beber. São assim sinal de confiança e fraternidade.
Todos somos convocados para ser discípulos missionários. Não é preciso ter um diploma em teologia, mas uma fé viva e confiante, que reconhece a presença constante do Senhor que nos chama e envia à missão. Todos podemos comunicar a alegria do Evangelho e a proximidade do reino de Deus.
Evangelizar é transmitir a fé em Jesus Cristo, ressuscitado e vivo, através da paz e da fraternidade, no meio das circunstâncias concretas de cada dia. Não é uma atividade solitária, mas uma missão coletiva, simbolizada no envio “dois a dois”. Porque o anúncio do Evangelho nasce da comunidade e tem como meta a comunidade.
Niceia, evento eclesial
A Igreja, fundada por Jesus Cristo sobre o alicerce dos apóstolos (como assinalamos no domingo passado), é chamada a ser o prolongamento natural desta missão: ser «sacramento universal de salvação». Anuncia a paz e a salvação, propõe sentido para a existência humana e sugere itinerários de resposta às perguntas profundas do coração.
À luz do documento Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador. 1700.º aniversário do Concílio Ecuménico de Niceia, 325-2025, recordamos que a Igreja, desde os primórdios, «é apresentada como uma comunidade de discernimento da vontade de Deus, cujo ator principal é o Espírito Santo, guiada por homens que continuam o papel dos doze apóstolos». Celebrar Niceia é renovar o compromisso de anunciar Jesus Cristo com fidelidade e criatividade, atentos aos desafios do nosso tempo e enraizados na mesma fé que uniu a Igreja há 1700 anos.
A missão da Igreja nasce da unidade da fé e da comunhão entre todos os batizados. O Concílio de Niceia não foi «apenas um acontecimento na história da doutrina», foi também um «evento eclesial», essencial para consolidar a Igreja como comunidade de comunidades espalhadas pelo mundo, mas todas unidas na mesma missão: levar a paz e a proximidade de Deus a todos os cantos da terra.




