
A coragem de permanecer junto à cruz
15 de Setembro de 2025Estamos dispostos a deixar que o Espírito Santo desça sobre nós e nos conduza, sob este mesmo sinal salvador, ou preferimos ficar na margem?
BATISMO
Do presépio à cruz, o fio condutor é sempre o mesmo: tudo o que o Filho de Deus faz é «por nós e para nossa salvação». Isto significa que Jesus Cristo veio derrubar o muro do pecado, não só a falha moral, mas tudo aquilo que nos isola e nos separa de Deus. Mais do que um detalhe biográfico, o nome que lhe foi dado por José, sob indicação do mensageiro divino, é um programa de vida: «Deus salva».
A partir deste domingo, a liturgia apresenta-nos Jesus adulto, que faz o bem e anuncia o Reino de Deus. O batismo é o primeiro sinal público desta missão. Não precisava daquela água. João Batista, perturbado, tenta impedi-lo: «Eu é que preciso de ser batizado por Ti e Tu vens ter comigo?». Tinha razão. Não havia nada para purificar. Ele é puro amor. Mas é exatamente por ser Amor que o Filho muito amado do Pai entra na água.
Está na fila, entra na água, para se solidarizar connosco, coloca-se ao lado dos pecadores, ombro a ombro com a fragilidade humana. Assume, não os seus pecados (porque não tem), mas o peso do pecado do mundo, ou seja, de todos. Percebemos, assim, que Jesus Cristo inicia o seu ministério com um grande sinal de salvação.
Ao mergulhar no Jordão, diz-nos que Deus desce à nossa história para nos levantar, não nos olha de longe, do alto de um trono, antes abraça a nossa humanidade para a curar/salvar.
Aqui reside a diferença radical. O batismo de João era um gesto de penitência. O batismo de Jesus é vida nova. Não é por acaso que o Espírito Santo desce sobre ele, depois de sair da água (e não durante o batismo). Com Jesus Cristo, o que nos é oferecido, além de ritual de purificação, é um autêntico mergulho no Espírito Santo.
O batismo cristão faz-nos “pessoas melhores” ou “mais limpas”, e muito mais, faz de nós filhas e filhos muito amados de Deus (Pai); em simultâneo, oferece-nos uma vida maior que esta dimensão biológica, a vida eterna.
A festa do Batismo do Senhor confronta-nos com esta verdade: Deus prefere a fila dos pecadores ao isolamento da perfeição. E nós? Estamos dispostos a deixar que o Espírito Santo desça sobre nós e nos conduza, sob este mesmo sinal salvador, ou preferimos ficar na margem?



