
Um gesto de amor que transforma a vida
3 de Junho de 2026DÉCIMO DOMINGO, ANO A
O que é que ocupa mais espaço no nosso coração: Preocupações? Falta de tempo? Ansiedade? Preguiça? Hoje, vamos compreender que a nossa rotina pode ser um lugar sagrado, um modo de praticarmos a presença de Deus.
Fazer tudo por amor a Deus
«Procuremos conhecer o Senhor. A sua vinda é certa como a aurora. Virá a nós como o aguaceiro de outono, como a chuva da primavera sobre a face da terra». O profeta Oseias usa as imagens do tempo e das estações para nos lembrar que a presença de Deus é tão certa como o sol que nasce todas as manhãs.
O Irmão Lourenço compreendeu bem esta contínua presença de Deus. Descobriu que tinha de encontrar Deus na cozinha do mosteiro ou a consertar sandálias, dois ofícios que lhe foram confiados. No livro A prática da presença de Deus deixou-nos um conselho que devia ficar gravado no nosso coração: «Que era um grande erro acreditar que o tempo de oração deveria ser diferente de qualquer outro momento; que estávamos tão intimamente ligados a Deus pela ação no tempo da ação como pela oração no tempo da oração». Percebeu que Deus está no tempo da oração, como também na lavagem dos pratos ou no conserto das sandálias.
O local de trabalho, a escola, a faculdade, o balcão da cozinha ou qualquer tarefa não são distrações que nos afastam de Deus. São, na verdade, o lugar exato onde te diz: «Segue-me». Repara no que diz o evangelista: Jesus vai ao encontro de Mateus no seu posto de trabalho, no meio dos livros de contabilidade e dos dinheiros. É aí que lhe diz: «Segue-me». E Mateus levantou-se e seguiu Jesus.
O Irmão Lourenço ensina que a arte de viver acompanhado por Deus não exige que mudes de profissão ou que entres num convento. Consiste em fazeres para Deus aquilo que antes fazias apenas por obrigação ou por mera rotina. Quando tu mudas a intenção e dizes “Senhor, vou fazer isto por ti”, o trabalho e todas as tuas obrigações deixam de ser um fardo enfadonho e passam a ser um ato de adoração.
No final da profecia de Oseias, Deus faz um desabafo: «Eu quero a misericórdia e não os sacrifícios, o conhecimento de Deus, mais que os holocaustos». Deus não quer rituais vazios de quem tem o coração superlotado. Lourenço vivia isto de forma humilde. Quando cometia um erro ou falhava numa virtude, aprendeu a não perder a paz nem a martirizar-se com sentimentos de culpa. Dizia ao Senhor: «Este é o meu normal; nunca farei diferente se for deixado por minha conta». E, com um sorriso, recomeçava. Isto é acreditar na misericórdia de Deus e viver com confiança e alegria.
Tens vivido a tua fé como um “sacrifício" ou tens permitido que Deus venha como a aurora sobre os teus dias? Tens usado a tua rotina e o teu cansaço como desculpa?
Para que a fé não seja como o nevoeiro da manhã que logo se desfaz, a partir de segunda-feira, quando acordares, pensa na tarefa mais aborrecida ou difícil do dia. Respira fundo e diz: “Senhor, a tua vinda é certa como o nascer deste dia. Ofereço-te esta tarefa por puro amor”. Deixa que a presença de Deus ilumine o teu dia.




