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Um dos principais desafios para o «Laboratório da fé»: oferecer percursos espirituais que correspondam às mais diversas formas de procura interior e contribuir para a redescoberta do caminho da fé como encontro pessoal com (o Deus de) Jesus Cristo.

ESPIRITUALIDADE

A espiritualidade, nos últimos dias, surgiu em vários contextos diferentes: homilia de Dom Jorge Ortiga; publicação da Pastoral da Cultura; entrevista de Ricardo Araújo Pereira; número da revista «Christus» sobre a vida espiritual na paróquia.

O Arcebispo refere a «falta de uma espiritualidade estruturada», a propósito do discipulado e dos vários problemas que se enfrentam por causa da diminuição do número de presbíteros para a missão paroquial. Acrescenta que, sem espiritualidade, «a vida retrocede».

«Espiritual sim, religioso não» é a resposta de um crescente número de adolescentes e jovens europeus, segundo o artigo de Christoph Paul Hartmann, traduzido pelo Secretariado Nacional da Cultura. Há uma procura de sentido, mas diminui a necessidade de uma prática religiosa. O mesmo se intui das declarações do humorista Ricardo Araújo Pereira que, apesar de se assumir como ateu, declara não ser «incompatível uma pessoa que não acredita em Deus ter aquilo a que se chama uma vida espiritual».

Estas referências permitem percecionar um dos principais desafios para o «Laboratório da fé»: oferecer percursos espirituais que correspondam às mais diversas formas de procura interior e contribuir para a redescoberta do caminho da fé como encontro pessoal com (o Deus de) Jesus Cristo. Esta há de ser também uma das ocupações das nossas comunidades paroquiais, sob pena de caminharmos em sentido oposto ao constatado atualmente: «Religioso sim, espiritual não».

Quais são os percursos espirituais (estruturados) propostos pelas paróquias? A eucaristia dominical surge como uma parte essencial da vida espiritual (pessoal e comunitária) ou apenas como o cumprimento de uma obrigação moral?

É uma responsabilidade nossa entrar em diálogo com os que buscam uma espiritualidade sem Deus. Mas urge também não cair no erro de promover uma religiosidade sem Deus, uma prática religiosa que «tem pouco influxo sobre estilos de vida pessoal, sobre a educação dos filhos e sobre as opções eleitorais políticas». A vida espiritual integra um dos seis pontos de «um caminho de Páscoa». Qual pode ser o próximo passo?