Reflexões,

Pastoral transformadora

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Não basta dizer que apoiamos as propostas pontifícias e manter a inércia da ‘programação’ e ‘doutrinação’. Há que implementar uma pastoral com os jovens que seja transformadora, de qualidade (apoiada nas duas grandes linhas de ação que são a busca e no crescimento), inclusiva (sinodal) e equitativa (popular). 

JUVENTUDE

A ‘busca’ e o ‘crescimento’ são as duas grandes linhas de ação propostas pelo Papa Francisco para a pastoral com os jovens: a ‘busca’ remete para o convite, o chamamento atrativo; o ‘crescimento’ está relacionado com percursos de maturidade (cf. Exortação Apostólica aos jovens e a todo o povo de Deus, [CV] 209).

O tema deste ano, «educação transformadora», apoia-se no quarto objetivo da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável: «garantir o acesso a uma educação inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos».

Ontem, como em todos os dias doze de agosto (desde 1999), celebramos o Dia Internacional da Juventude, uma resolução da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas para promover os jovens como aliados essenciais na busca de soluções para os seus próprios desafios. Uma bela oportunidade, entre nós, para lembrar que «a pastoral juvenil só pode ser sinodal, ou seja capaz de dar forma a um ‘caminhar juntos’» (CV 206).

Sem descurar o empenho que, como Igreja, nos compete na prossecução desse objetivo para o desenvolvimento sustentável, precisamos também de promover uma pastoral com os jovens com os mesmos atributos: transformadora, de qualidade, inclusiva e equitativa. Isto significa, antes de mais, segundo o pensamento do Papa, evitar a programação (CV 204) e a doutrinação (CV 214). 

A renovação passa por acalmar «a ânsia de transmitir uma grande quantidade de conteúdos doutrinais» e procurar, «antes de mais nada, suscitar e enraizar as grandes experiências que sustentam a vida cristã» (CV 212). Em primeiro, despertar a experiência de sentir-se amado, para estar aptos a praticar a ‘gramática do amor’ (CV 211).

Não basta dizer que apoiamos as propostas pontifícias e manter a inércia da ‘programação’ e ‘doutrinação’. Há então que implementar uma pastoral de qualidade (apoiada nas duas grandes linhas de ação que são a busca e no crescimento, CV 209-215), inclusiva (sinodal, CV 203-208) e equitativa (popular, CV 230-238). 

Talvez assim se obtenha uma dinâmica eclesial em que «os jovens sejam mais protagonistas» (CV 202) e se possa reconhecer que estamos a promover uma autêntica pastoral transformadora.