Como ‘criar’ paróquias missionárias? Como ultrapassar as resistências à mudança? O objetivo é implementar uma dinâmica missionária em cada comunidade paroquial, a «renovação inadiável». Os conteúdos destas reflexões sobre «paróquias missionárias» apoiam-se na Exortação Apostólica do Papa Francisco sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual («A Alegria do Evangelho»: Evangelii Gaudium) e na obra de Pedro Jaramillo Rivas, «‘Evangelii Gaudium’ en clave de parroquia misionera», editorial PPC.

A Alegria do Evangelho, 28

O ponto de partida é o número 28 da Exortação Apostólica do Papa Francisco sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG):

«A paróquia não é uma estrutura caduca; precisamente porque possui uma grande plasticidade, pode assumir formas muito diferentes que requerem a docilidade e a criatividade missionária do Pastor e da comunidade. Embora não seja certamente a única instituição evangelizadora, se for capaz de se reformar e adaptar constantemente, continuará a ser ‘a própria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas’. Isto supõe que esteja realmente em contacto com as famílias e com a vida do povo, e não se torne uma estrutura complicada, separada das pessoas, nem um grupo de eleitos que olham para si mesmos. A paróquia é presença eclesial no território, âmbito para a escuta da Palavra, o crescimento da vida cristã, o diálogo, o anúncio, a caridade generosa, a adoração e a celebração. Através de todas as suas atividades, a paróquia incentiva e forma os seus membros para serem agentes da evangelização. É comunidade de comunidades, santuário onde os sedentos vão beber para continuarem a caminhar, e centro de constante envio missionário. Temos, porém, de reconhecer que o apelo à revisão e renovação das paróquias ainda não deu suficientemente fruto, tornando-as ainda mais próximas das pessoas, sendo âmbitos de viva comunhão e participação e orientando-as completamente para a missão».

Uma renovação eclesial inadiável

A paróquia é a primeira concretização que o Papa faz ao tratar da renovação das estruturas. Esta escolha indica à partida que o Papa pensa na paróquia como a manifestação da Igreja mais próxima das pessoas.

É interessante ver a localização do número dedicado à renovação da paróquia: no primeiro capítulo, no apartado dedicado à «pastoral em conversão» (números 25 a 33), e no começo de uma alínea cujo título fala da urgência da reforma: «uma renovação eclesial inadiável».

A revitalização da paróquia é uma prioridade na renovação eclesial querida pelo Papa Francisco!

Opção missionária

O número 27 da Exortação Apostólica abre o apartado da renovação eclesial com um desafio missionário de alcance universal: pede à Igreja «uma opção missionária capaz de transformar tudo… toda a estrutura eclesial».

O objetivo da renovação é claro: «os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à autopreservação».

O Papa quer que todas as estruturas na Igreja se tornem mais missionárias: «a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja mais comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de ‘saída’ e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade».

O texto citado de João Paulo II não podia ser mais expressivo: «toda a renovação na Igreja há de ter como alvo a missão, para não cair vítima duma espécie de introversão eclesial» (Exortação Pós-sinodal «A Igreja na Oceânia», 19).

A propósito da renovação, o Papa reconhece que, sendo um documento prático, pode produzir medos, resistências e até desqualificações. Por isso, exorta todos (pastores e fiéis) a «aplicarem, com generosidade e coragem, as orientações deste documento, sem impedimentos nem receios» (EG 33).


Estou convencido do carácter inadiável da renovação da Igreja?

Estou aberto à mudança ou prefiro o comodismo do «fez-se sempre assim»?