Reflexões,

Espiritualidade da pessoa idosa

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Um desafio da «renovação inadiável» prende-se com o aumento significativo das pessoas idosas. É preciso, também na Igreja, nas paróquias, promover o envelhecimento ativo. Veja-se o exemplo do Centro Cultural Sénior. Entre essas propostas de amadurecimento pessoal não podemos deixar de «delinear uma espiritualidade das pessoas idosas», alerta o Papa Francisco. 

GRATIDÃO

O tempo que passamos com os avós nunca é suficiente. Invade-nos uma nostalgia e arrependimento, quando olhamos para trás, e recordamos os momentos em que, da infância à juventude, saboreamos a presença dos avós. Uma palavra integra o nosso dicionário existencial: gratidão. 

A Comissão Episcopal do Laicado e Família, na mensagem para o Dia dos Avós, regista «um amor incondicional que marca indelevelmente a vida». Os avós «acompanham, protegem, sossegam, ajudam, encorajam, enfim, educam e ajudam a preparar para a vida os seus netos, sendo, em muitos casos, a sua grande referência e o seu porto de abrigo».

Esse arrependimento pela falta de disponibilidade, física e mental, para estar com eles, ouvir as suas histórias, guardar o vocabulário dessas narrativas, é hoje superado pela gratidão, estejam ou não fisicamente junto de nós.

O Papa Francisco caracteriza uma paróquia saudável pelo «sentido comunitário de gratidão, de apreço e de hospitalidade, que levem o idoso a sentir-se parte viva da sua comunidade». Se a gratidão desaparece torna-se uma comunidade «perversa», sem «alma».

Um desafio da «renovação inadiável» prende-se com o aumento significativo das pessoas idosas. Sibilia Marques, no ensaio publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos («Discriminação da Terceira Idade»), prevê que, nos próximos 25 anos, o número de pessoas idosas duplique o número de jovens. É preciso, também na Igreja, nas paróquias, promover o envelhecimento ativo. Veja-se o exemplo do Centro Cultural Sénior (Diário do Minho, 26 de julho de 2019). Entre essas propostas de amadurecimento pessoal não podemos deixar de «delinear uma espiritualidade das pessoas idosas», alerta o Papa Francisco

Aos idosos, aos avós, o Papa convida a serem «poetas da oração […]. É um grande dom para a Igreja, a oração dos avós e dos idosos! […] Um grande crente de tradição ortodoxa do século passado, Olivier Clément, dizia: ‘Uma civilização na qual já não se reza é uma civilização onde a velhice não tem mais sentido. E isto é terrificante! Antes de tudo, temos necessidade de idosos que rezem, porque a velhice nos é concedida para isto”. […] A oração dos idosos é bonita!».