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O ano pastoral começa nos finais de setembro (ou inícios de outubro) e tende a desenvolver-se de forma equilibrada até finais de junho. Os meses de julho e agosto ficam numa espécie de ‘limbo’ pastoral. Não estaremos a desperdiçar, nestes meses mais calmos, a oportunidade de experimentar outras variantes que complementem os habituais modelos?!

FÉRIAS

A dinâmica pastoral das comunidades tem sido determinada, nos últimos tempos, pelos ritmos próprios do calendário escolar. A época estival tornou-se uma espécie de parêntesis, um período de férias, também na vida paroquial. 

É útil promover a reflexão sobre o programa e calendário das nossas paróquias, no âmbito da pastoral, da catequese em particular. À primeira vista, o ritmo mais ajustado é fazer coincidir o ano pastoral (e catequético) com o ano escolar, e iniciar a formação catequética com a entrada no primeiro ciclo do ensino básico. Uma e outra vez, mais prolongadas nesta época, surgem as férias escolares, que proporcionam aos estudantes interrupções ou alterações dos ritmos quotidianos. O perigo de aplicar o mesmo cronograma à pastoral pode levar a uma discrepância entre a fé e a vida, como se fosse possível determinar férias na vida cristã pessoal e comunitária.

Na revista «Misa Dominical» (número 10 de 2019), o bispo Sebastià Taltavull Anglada destaca a prioridade litúrgica. Lembra a importância do ritmo próprio do ano litúrgico, pela «agilidade e variedade» que o seu conteúdo dá a toda a organização pastoral das paróquias e movimentos apostólicos, e à própria vivência do mistério cristão partilhado e celebrado em comunidade.

O ano litúrgico começa no Primeiro Domingo de Advento (entre o final de novembro e os primeiros dias de dezembro) e termina na manhã do sábado depois da Solenidade de Cristo Rei do Universo. O ano pastoral, associado que está ao ritmo escolar, começa nos finais de setembro (ou inícios de outubro) e tende a desenvolver-se de forma equilibrada até finais de junho. Os meses de julho e agosto ficam numa espécie de ‘limbo’ pastoral.

Pensemos no cronograma da pastoral (e da catequese). Não estaremos a desperdiçar, nestes meses mais calmos, a oportunidade de experimentar outras variantes que complementem os habituais modelos?! O autor propõe este tempo como «mais que apto para ser dedicado, talvez com mais calma, a ler, a interiorizar, a contemplar, a partilhar, a orar…». Recorda que os textos bíblicos destes domingos «contêm uma riqueza extraordinária para dedicar tempo à oração e à meditação, uma boa ocasião para dialogar e fomentar — como diz o Papa Francisco — a ‘cultura do encontro’».