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O Bom Jesus do Monte, em Braga, é testemunho concreto da «ecologia integral». Lá podemos encontrar o essencial para o equilíbrio do ser humano: o encontro com a Criação, o encontro com os outros, o encontro com Deus. 

ECOLOGIA INTEGRAL

A terra que pisamos, o ar que respiramos, o espaço em que nos é dado viver, tudo o que nos rodeia, e o que demais faz parte deste (nosso) planeta, são Património da Humanidade. Ao designar como «património» estamos a reconhecer uma «herança», uma dádiva que nos é concedida por outrem. Neste caso, trata-se de um «bem coletivo, património de toda a humanidade e responsabilidade de todos» (Carta Encíclica do Papa Francisco sobre o cuidado da casa comum, «Laudato Si’» [LS], 95).

A declaração do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, como Património Mundial da Humanidade é uma boa notícia, que nos implica ainda mais na responsabilidade em cuidar desta «herança». Há quem olhe para o património na perspetiva do mero usufruto que resvala para um «uso irresponsável» próprio dos que se sentem «proprietários e dominadores» (cf. LS 2). Nós, os cristãos, acolhemos o património como uma herança divina que nos compete cultivar e guardar: «enquanto ‘cultivar’ quer dizer lavrar ou trabalhar um terreno, ‘guardar’ significa proteger, cuidar, preservar, velar. Isto implica uma relação de reciprocidade responsável entre o ser humano e a natureza» (LS 67). 

 A chave é a comunhão como reflexo de Deus Trindade, fonte da mais profunda comunhão. Desta, brota a comunhão entre o próprio Deus e o ser humano, dos seres humanos entre si, e dos seres humanos com a Criação. Além de uma relação exterior, inspira uma pertença mútua, uma presença saudável, uma «ecologia integral».

O Bom Jesus do Monte, em Braga, é testemunho concreto da «ecologia integral». Lá podemos encontrar o essencial para o equilíbrio do ser humano: o encontro com a Criação, o encontro com os outros, o encontro com Deus. 

«Uma ecologia integral exige que se dedique algum tempo para recuperar a harmonia serena com a criação, refletir sobre o nosso estilo de vida e os nossos ideais, contemplar o Criador, que vive entre nós e naquilo que nos rodeia e cuja presença ‘não precisa de ser criada, mas descoberta, desvendada’» (LS 225).

A declaração da UNESCO pode ser uma oportunidade para aprofundar «os compromissos ecológicos que brotam das nossas convicções» (LS 64).