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Arte, encontro, criatividade, criação, são conceitos que também se cruzam nos itinerários da fé cristã. Sem descurar a necessidade de um conteúdo teórico, urge incentivar e divulgar, mais e melhor, a criação artística e a sua contemplação como uma das vias espirituais.

ARTE

A arte é um dos caminhos para a fé, «mais do que tantas palavras e ideias» (Papa Francisco, 28 de setembro de 2018). E também pode contribuir para «sair do pragmatismo utilitarista» que transforma tudo «em objeto de uso e abuso sem escrúpulos» (Carta Encíclica sobre o cuidado da casa comum, 215).

O festival «Encontrarte», que decorre entre os dias 26 e 28 de julho, em Amares, anuncia o encontro, o estar juntos como «um ato de criação» (Diário do Minho, 11 de julho de 2019). O evento apresenta-se como «um encontro de arte e participação que, numa periodicidade bienal, tem proposto, através de uma programação pluridisciplinar, o diálogo vivo entre a radicalidade do pensamento artístico contemporâneo e a herança tradicional da região do Minho» (encontrarte.pt). 

Arte, encontro, criatividade, criação, são conceitos que também se cruzam nos itinerários da fé cristã. Sem descurar a necessidade de um conteúdo teórico, urge incentivar e divulgar, mais e melhor, a criação artística e a sua contemplação como uma das vias espirituais.

Segundo o Papa, «a beleza da arte faz bem à vida e cria comunhão», porque, entre outras possibilidades, «une Deus, o ser humano e a criação numa única sinfonia». Usufruir dessa «sinfonia» não pode ser um mero passatempo, uma ocupação de tempos livres, mas um compromisso inscrito, com regularidade, na agenda dos cristãos e das comunidades. É um ótimo contributo para aprofundar a missão espiritual da vida. A arte «é fonte de harmonia e paz, e exprime a dimensão da gratuitidade».

Aos artistas (6 de dezembro de 2016), o Papa Francisco exortou a «criar obras de arte que levem, precisamente através da linguagem da beleza, um sinal, uma centelha de esperança e de confiança ali onde as pessoas parecem render-se à indiferença e à fealdade. Arquitetos e pintores, escultores e músicos, cineastas e letrados, fotógrafos e poetas, artistas de todas as disciplinas, são chamados a fazer brilhar a beleza sobretudo onde a obscuridade e a monotonia domina o dia a dia; são custódios da beleza, anunciadores e testemunhas de esperança para a humanidade […]. Portanto, convido-os a cuidar da beleza, e a beleza curará muitas feridas que marcam o coração e a alma dos homens e das mulheres dos nossos dias».