8
Partilhas

Entre nós, nas paróquias, talvez seja necessário criar um Ministério da Amizade, um workshop que ensine a estar diante de Deus, para aprender a substituir fórmulas (às vezes, mecanicamente repetidas) por uma conversa entre dois melhores amigos, os íntimos.

AMIZADE

A amizade é uma escolha que vai além de um estado afetivo ou de um mero pedido (feito olhos nos olhos ou através de uma rede social). A amizade implica aceitar o outro na sua unicidade e autonomia, na sua irrepetibilidade e diversidade.

O jornal «Público» (15 de julho de 2019) elencou algumas curiosidades sobre a amizade: o investigador Jeffrey Hall determinou que são precisas 50 horas para transformar um conhecido num amigo casual, 90 horas para fazer um amigo e mais de 200 horas para entrar no grupo dos melhores amigos; o antropólogo e psicólogo evolucionista Robin Dunbar concluiu que, em média, cada ser humano só consegue ter o máximo de cinco amigos íntimos, 15 melhores amigos e 150 amigos casuais; o sociólogo Gerald Mollenhorst definiu que a cada sete anos perdemos cerca de metade dos amigos; o risco de morte para quem não tem amigos é comparável a quem, diariamente, fuma 15 cigarros ou consome mais de seis bebidas alcoólicas; o contacto com os amigos produz endormofina, a hormona que alivia a dor e provoca a sensação de felicidade, ajuda a prevenir várias doenças (por exemplo, distúrbios cardiovasculares, depressão, Alzheimer).

José Tolentino Mendonça, ao compilar algumas notas para uma teologia da amizade («Nenhum caminho será longo», Paulinas Editora) sugere que «o paradigma da amizade, aplicado à nossa relação com Deus, pode resultar num efeito extraordinariamente libertador»: sentar diante de Deus e falar com Ele «como um homem, como uma mulher fala com um amigo, uma amiga».

Londres, habitada por nove milhões de pessoas, foi considerada a capital europeia da solidão. Como consequência, o governo criou o Ministério da Solidão e surgiu um workshop (atelier) que consiste em estar diante de um desconhecido para aprender a substituir «as conversas sobre o tempo ou as férias por aquilo que realmente as angustia». 

Entre nós, nas paróquias, talvez seja necessário criar um Ministério da Amizade, um workshop que ensine a estar diante de Deus, para aprender a substituir fórmulas (às vezes, mecanicamente repetidas) por uma conversa entre dois melhores amigos, os íntimos. Santa Teresa de Jesus (Santa Teresa de Ávila) apresentou a oração como «tratar de amizade» com Deus.

1 Comentário

Olinda Ribeiro

Julho 23, 2019

Excelente ideia a de criar nas paróquias o Ministério da Amizade. Já agora fica a sugestão para outro: Magistério da Gratidão. Descomplicar ajuda a aproximar 😉

Responder