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Os indiferentes ou afastados são muitos mais do que os batizados ‘convertidos’. Mais do que dividir entre ‘praticantes’ e ‘não praticantes’, interessa proporcionar a todos um caminho de conversão ao Evangelho. É o primeiro dos pilares em que assenta a ‘renovação inadiável’. A paróquia precisa de rever, à luz deste princípio, as suas ações.

CONVERSÃO

É um erro considerar que se destina apenas aos que não são cristãos (católicos) ou estão afastados da Igreja. A conversão diz respeito a todos, é tarefa permanente, pessoal e comunitária. A conversão é um processo (sempre inacabado), no qual todos estamos implicados, qualquer que seja o grau de compromisso eclesial.

Quase dois terços dos portugueses declaram-se ‘católicos’, de acordo com a sondagem realizada para o Jornal de Notícias (4 de agosto de 2019) com o objetivo de avaliar a opinião sobre temas relacionados com a religião. 

Os portugueses são católicos (74%), frequentadores do Santuário de Fátima (93%), admiradores do Papa Francisco (85%), mas «liberais nos costumes» (expressão que designa a discordância, em especial entre os jovens, sobre diferentes assuntos relacionados com a vida eclesial). 

«Ir à igreja» é uma realidade para mais de metade da população, embora sejam só 17% os que vão todas as semanas (36% vão, pelo menos, uma vez por mês). A paróquia que reflete sobre estes dados percebe a importância do acolhimento.

Em Portugal, «afirmar-se como católico pode ser uma declaração de fé professa ou de matriz identitária do povo». O cruzamento das respostas dá para concluir que predomina a «matriz identitária» sem que daí resulte «declaração de fé». Note-se que são mais os que foram batizados (96%) ou fizeram a primeira comunhão (83%) do que os que se declaram ‘católicos’ (74%).

Os indiferentes ou afastados são muitos mais do que os batizados ‘convertidos’. Mais do que dividir entre ‘praticantes’ e ‘não praticantes’, interessa proporcionar a todos um caminho de conversão ao Evangelho. É o primeiro dos pilares em que assenta a ‘renovação inadiável’. A paróquia precisa de rever, à luz deste princípio, as suas ações.

Ao pensar nos (55%) que alguma vez ao longo do ano «vão à igreja», talvez seja preferível conjugar o acolher e acompanhar, em vez de centrar todos os esforços no preparar. Já conhecemos os resultados da aposta na preparação (para o batismo, a primeira comunhão, o matrimónio…). O sacramento surge como meta, muitas vezes sem um ponto de partida. Não será assertivo apontar a meta da conversão ao Evangelho e ter como ponto de partida a celebração dos sacramentos?