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O Papa Francisco, através da Rede Mundial de Oração, convida a rezar, em agosto, «para que as famílias, graças a uma vida de oração e de amor, se tornem cada vez mais ‘laboratórios de humanização’». Dois caminhos a explorar: a oração e o amor. 

FAMÍLIA

O conceito está a mudar. Quando dizemos «família», não estamos todos a usar a mesma terminologia, aquela que já se costuma designar de ‘tradicional’ (mãe, pai, filhos, e outros membros).

Em Portugal, aumentam as famílias monoparentais (só um dos pais vive com os filhos) e as constituídas pelo casal (sem filhos). Segundo o Instituto Nacional de Estatística, em 2018, pela primeira vez, as famílias com filhos (1 410 116) foram superadas pela soma das monoparentais e casais sem filhos (1 467 997). Em parte, estes dados explicam-se pelo aumento dos divórcios (em 2017, 70% dos casamentos resultaram em divórcio).

Os números são «uma oportunidade» (e não um problema) — palavras do Papa Francisco citadas na Exortação Apostólica sobre o amor na família, número 7). Motiva-nos o desafio que a realidade lança às comunidades paroquiais. É nos seus âmbitos geográficos e existenciais que habitam os novos modelos de família.

Não enveredamos pela lamentação doentia, nem pela tentação imediata de ‘fazer coisas’, promover atividades. O primeiro passo não é oferecer respostas, mas escutar as perguntas das famílias. 

Há também outras questões oportunas: «Tratamos a família como ela merece? Admiramos o milagre permanente que acontece em cada lar ou, simplesmente, fazemos eco de discursos quase apocalípticos sobre a família? Em que termos falamos da família? Como olhamos para ela? Como olham para ela as nossas instituições educativas, sanitárias, eclesiais, políticas, sindicais…? Que fizemos pela família? Que fazemos pela família? Que devemos fazer pela família?» (Pablo Guerrero Rodríguez, «Muito mais que dois», Editorial AO).

O Papa Francisco, através da Rede Mundial de Oração, convida a rezar, em agosto, «para que as famílias, graças a uma vida de oração e de amor, se tornem cada vez mais ‘laboratórios de humanização’». Dois caminhos a explorar: a oração e o amor. 

A família pode ser o primeiro pequeno grupo no qual se pratica o ‘laboratório da fé’ e se inicia a ‘renovação inadiável’ da vida paroquial. 

As duas vias, oração e amor, podem ser a base na qual se sustenta a espiritualidade familiar proposta pela paróquia: partilhar a oração e fazer crescer o amor. Também neste âmbito é prioritário ensinar a rezar e educar para o amor.