Reflexões,

A importância da lentidão

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Importa focar a atenção no ‘tu’ do turista, a pessoa concreta (e não o mero fenómeno turístico), dispostos a proporcionar uma profícua experiência espiritual. Agrada, por isso, a proposta de um «turismo lento» apoiada pelo Papa Francisco, dinâmica que também ajude «a viver de modo diverso e mais consciente cada momento da vida quotidiana, inclusive os de trabalho e de maior compromisso».

TURISMO

A mobilidade é uma das nossas características. Veja-se as perturbações causadas pela falta de combustíveis! Numa sociedade em constante movimento, não admira que uma das áreas de maior crescimento seja o setor turístico.

Há dias ficamos a saber que a região do Minho está entre as que tiveram maior aumento da taxa de ocupação turística, nos primeiros cinco meses do ano (cf. Diário do Minho de 6 de agosto de 2019). Outros números confirmam que «os 24 concelhos dos distritos de Braga e de Viana do Castelo registaram, no ano de 2018, 2 milhões 216 mil e 500 dormidas nas unidades de alojamento turístico», em boa parte devido ao «turismo cultural, religioso e de natureza».

Entre nós, reconhecemos o valor do turismo religioso, certos de que não é o único âmbito da Pastoral do Turismo. É útil reler, a propósito, a intervenção de Dom Jorge Ortiga no Segundo Encontro Nacional da Pastoral do Turismo.

Urge assumir o turismo, em todas as suas áreas, como um desafio pastoral. A revista «Vida Nueva» (editorial do número 3140) descreve-o como «viagem pastoral», oportunidade para refletir sobre todas as suas «possibilidades evangelizadoras». 

O diretor do Departamento de Turismo e Tempo Livre da Conferência Episcopal Espanhola fala de «um novo areópago» para a evangelização. Lembra que se exige das diferentes estruturas eclesiais e dos agentes de pastoral «um discernimento adequado para realizar um apostolado eficaz de acordo com as necessidades de cada turista». 

Importa focar a atenção no ‘tu’ do turista, a pessoa concreta (e não o mero fenómeno turístico), dispostos a proporcionar uma profícua experiência espiritual. Agrada, por isso, a proposta de um «turismo lento» apoiada pelo Papa Francisco, dinâmica que também ajude «a viver de modo diverso e mais consciente cada momento da vida quotidiana, inclusive os de trabalho e de maior compromisso».

O ‘turismo lento’ é «um turismo que não se inspira nos cânones do consumismo nem apenas desejoso de acumular experiências, mas capaz de favorecer o encontro entre as pessoas e o território, e de fazer crescer no conhecimento e no respeito mútuo». Um  ‘turismo lento’ que aproxime de Deus e promova a vida espiritual, não só do turista, mas de todos os agentes turísticos.