A paróquia missionária, «âmbito para a escuta da Palavra» (Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG), 28), percebe a força evangelizadora da homilia. O Papa Francisco apresenta a homilia como «uma experiência intensa e feliz do Espírito, um consolador encontro com a Palavra, uma fonte constante de renovação e crescimento» (EG 135).

Experiência intensa e feliz do Espírito

A homilia «supera toda a catequese por ser o momento mais alto do diálogo entre Deus e o seu povo, antes da comunhão sacramental. […] Aquele que prega deve conhecer o coração da sua comunidade para identificar onde está vivo e ardente o desejo de Deus e também onde é que este diálogo de amor foi sufocado ou não pôde dar fruto» (EG 137). 

A paróquia missionária recorda a responsabilidade confiada aos pregadores em fazer com que a pregação produza um encontro intenso com o Espírito Santo. Habita-os a convicção profunda de «que é Deus que deseja alcançar os outros através do pregador e de que Ele mostra o seu poder através da palavra humana» (EG 136).

Não se trata de «um espetáculo de divertimento», nem de «uma conferência ou uma lição». A homilia «deve ser breve». Uma homilia longa prejudica o ritmo que encaminha «para uma comunhão com Cristo na Eucaristia, que transforme a vida» (EG 138).

Consolador encontro com a Palavra

A paróquia missionária pede aos pastores para interiorizarem que «assim como todos gostamos que nos falem na nossa língua materna, assim também, na fé, gostamos que nos falem em termos da ‘cultura materna’, em termos do idioma materno, e o coração dispõe-se a ouvir melhor. Esta linguagem é uma tonalidade que transmite coragem, inspiração, força, impulso» (EG 139). 

A língua materna é usada no «diálogo do Senhor com o seu povo», pelo que precisa de ser cultivada «através da proximidade cordial do pregador, do tom caloroso da sua voz, da mansidão do estilo das suas frases, da alegria dos seus gestos» (EG 140). 

O melhor método é seguir o modelo de Jesus Cristo, «naquele seu olhar o povo mais além das suas fraquezas e quedas […]. Jesus prega com este espírito. […] O Senhor compraz-Se verdadeiramente em dialogar com o seu povo, e compete ao pregador fazer sentir este gosto do Senhor ao seu povo» (EG 141).

Fonte constante de renovação e crescimento

A paróquia missionária ajuda a perceber que «um diálogo é muito mais do que a comunicação duma verdade. Realiza-se pelo prazer de falar e pelo bem concreto que se comunica através das palavras entre aqueles que se amam» (EG 142). Só assim se atinge o coração dos ouvintes, provocando neles a renovação e o crescimento na vida espiritual. 

A homilia «tem a belíssima e difícil missão de unir os corações que se amam: o do Senhor e os do seu povo» (EG 143). Quando é «puramente moralista ou doutrinadora e também a que se transforma numa lição de exegese reduzem esta comunicação entre os corações» (EG 142).

O Papa recorda que «a identidade cristã, que é aquele abraço batismal que o Pai nos deu em pequeninos, faz-nos anelar, como filhos pródigos – e prediletos em Maria –, pelo outro abraço, o do Pai misericordioso que nos espera na glória. Fazer com que o nosso povo se sinta, de certo modo, no meio destes dois abraços é a tarefa difícil, mas bela, de quem prega o Evangelho» (EG 144). 


Quais sãos as principais características da homilia? É isso que se verifica na nossa paróquia? O que é que não pode ser uma homilia? Existe uma verdadeira preocupação com a linguagem utilizada na pregação? Partilho a minha avaliação com o pregador? O que é preciso melhorar?