Voltarei para junto de vós

Liturgia, Páscoa

SEXTO DOMINGO DE PÁSCOA, ANO C

Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que vos mando, diz o Senhor.
Eu pedirei ao Pai e Ele vos dará o Espírito Santo,
que permanecerá convosco para sempre. Aleluia.
cf. João 14, 15-16

O Ressuscitado não abandona os amigos. ‘Voltar’ para o Pai é o termo da sua missão. Mas não deixará de estar presente. Ele garante a continuidade pelo dom do Espírito Santo que «permanecerá convosco para sempre».

«Voltarei para junto de vós»

A missão da Igreja nasce da Páscoa (e Pentecostes). O seu tempo desenvolve-se entre a primeira e a segunda vinda do Senhor. No contexto da ‘despedida’, aquando da primeira vinda (histórica), o Mestre deixa a garantia: «voltarei para junto de vós».

A Igreja existe para evangelizar, para anunciar a Páscoa. Jamais se pode esquecer que a sua identidade e missão se apoia no facto de ser discípula missionária de Jesus Cristo. Este alerta surge no texto do evangelho proposto para o Sexto Domingo de Páscoa (Ano C), no qual o Mestre aborda as verdades elementares que nos tornam cristãos: o amor a Deus (Pai), a escuta da Palavra (Filho), a vida animada pelo Espírito Santo.

Ao ler/escutar que Jesus Cristo promete ‘voltar’ para junto de nós, não podemos ficar agarrados apenas a uma perspetiva futura, a um acontecimento «distante, imponente e grandioso», mas a um acontecimento «chamado a verificar-se hoje no oculto do coração humano. Só homens e mulheres tornados morada da vida trinitária, conscientes da vida divina em si, sabem narrar e anunciar o Reino de Deus universal» (Luciano Manicardi).

A promessa de ‘voltar’ para junto de nós, compromete-nos hoje a ‘voltar’ para ele: ‘voltar’ a Jesus Cristo, colocá-lo no centro da nossa vida, é indispensável para cada cristão e para a Igreja, comunidade dos discípulos missionários.

Abrir-se à presença, permitir que a existência seja impregnada pelo Ressuscitado é o autêntico caminho do discipulado. «Por mais que te possas afastar, junto de ti está o Ressuscitado, que te chama e espera por ti para recomeçar. Quando te sentires envelhecido pela tristeza, os rancores, os medos, as dúvidas ou os fracassos, Jesus estará a teu lado para te devolver a força e a esperança» (CV 2).

Alargar

O discípulo missionário de Jesus Cristo gera frutos de alegria ao vencer a perturbação e o medo com o amor e a mansidão (cf. GE 71-74): «Se vivemos tensos, arrogantes diante dos outros, acabamos cansados e exaustos. […] Paulo designa a mansidão como fruto do Espírito Santo […]. A mansidão é outra expressão da pobreza interior, de quem deposita a sua confiança apenas em Deus. […] Alguém poderia objetar: ‘Mas, se eu for assim manso, pensarão que sou insensato, estúpido ou frágil’. Talvez seja assim, mas deixemos que os outros pensem isso. É melhor sermos sempre mansos, porque assim se realizarão as nossas maiores aspirações: os mansos ‘possuirão a terra’, isto é, verão as promessas de Deus cumpridas na sua vida».

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