É o Senhor

Disse Jesus: Vinde comer.
E tomando o pão, deu-o aos seus discípulos. Aleluia.
cf. João 21, 12-13

A liturgia pascal ajuda a «ver» a presença do Ressuscitado no «hoje» da nossa vida. O Senhor convida-nos a comer, repartindo o pão (eucarístico), sacramento da sua atual e viva presença.

«É o Senhor»

O encontro com o Ressuscitado, mais do que uma realidade visível, é uma experiência que, a partir dos «olhos» do coração, capacita a confessar a fé na sua presença: «É o Senhor».

A parte final do evangelho segundo João proposta para o Terceiro Domingo de Páscoa (Ano C) dá a conhecer uma «aparição» do Ressuscitado a uns discípulos mergulhados no desânimo. Jesus Cristo manifesta-se no lago de Tiberíades, aquele lago onde se tinham vivido momentos determinantes na missão do Mestre e dos discípulos. Ali, alguns deles foram chamados pela primeira vez. Antes, havia sido num dia de tempestade que aprenderam a confiar naquele que dormia na barca. Agora, é «ao romper da manhã», e não no meio da noite da tormenta, que Jesus Cristo volta a chamar os discípulos. Não é a noite da morte, mas a manhã da ressurreição. Já passou a noite, agora é tempo de viver a manhã do novo dia: o Mestre convida-os a deixar a obscuridade da cruz e a noite da desilusão, para viver a esperança na vida ressuscitada e a confiança da vitória.

A leitura orante desta cena, mais do que uma «aparição» do Ressuscitado, evidencia a «ressurreição dos discípulos: uma narração em que a passagem da noite para a manhã, portanto, das trevas para a luz, é acompanhada da passagem da ignorância ao conhecimento de Jesus, da esterilidade à pesca abundante, de não ter nada para comer a participar na refeição farta de Jesus. A presença do Ressuscitado produz estas mudanças e recria a comunidade» (Luciano Manicardi). Hoje, é no meio dos nossos desânimos e fracassos que Jesus Cristo nos chama a uma nova atitude para também o reconhecermos presente junto de nós: «É o Senhor».

Alargar

A presença e o reconhecimento do Ressuscitado transforma o fracasso em abundância, a fome em saciedade. No contexto arquidiocesano, esta semana convida a alargar os horizontes da missão a partir da fome e sede de justiça como caminho de felicidade (cf. GE 77-79): «’Fome e sede’ são experiências muito intensas, porque correspondem a necessidades primárias e têm a ver com o instinto de sobrevivência. Há pessoas que, com esta mesma intensidade, aspiram pela justiça e buscam-na com um desejo assim forte. Jesus diz que elas serão saciadas, porque a justiça, mais cedo ou mais tarde, chega e nós podemos colaborar para o tornar possível, embora nem sempre vejamos os resultados deste compromisso.[…] Esta justiça começa por se tornar realidade na vida de cada um, sendo justo nas próprias decisões, e depois manifesta-se na busca da justiça para os pobres e vulneráveis. […] Buscar a justiça com fome e sede: isto é santidade».

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