Amai-vos também uns aos outros

Liturgia, Páscoa

QUINTO DOMINGO DE PÁSCOA, ANO C

Eu sou a videira e vós sois os ramos, diz o Senhor.
Se alguém permanece em Mim e Eu nele,
dá fruto abundante. Aleluia.
João 15, 1.5

Jesus Cristo não quer ser apenas um modelo. Ele propõe-se como o fundamento da vida pessoal e comunitária: é a videira de onde podem brotar ramos com frutos abundantes. O fruto maior de todos é o amor.

«Amai-vos também uns aos outros»

O Quinto Domingo de Páscoa (Ano C) realça o amor que brota do Ressuscitado para se tornar a identidade dos cristãos. Agora, a presença (invisível) de Jesus Cristo é percetível e palpável no amor: «amai-vos também uns aos outros».

Uma das conclusões que os primeiros cristãos retiraram da experiência pascal foi a importância da força do amor: a ressurreição é um ato de amor, um amor que vence a morte.

«Amai-vos também uns aos outros». Este mandamento novo dado pelo Mestre apoia-se no próprio exemplo: «Como Eu vos amei». São palavras que concretizam a palavra «amar». Não é uma palavra vazia, saída da boca. Não é uma palavra banalizada pelo uso corrente nos mais diversos contextos humanos. À luz da experiência pascal, é uma palavra cheia de sentido, expressa a dádiva de Jesus Cristo, desafia os discípulos a assumirem a mesma missão, isto é, a serem discípulos missionários. Este testemunho do amor tem critério claro: «Como Eu vos amei».

E como é o amor de Jesus Cristo? Não é uma ideia filosófica ou abstrata. É uma maneira concreta de amar. Não é uma palavra. É a vida. Tomemos os evangelhos e busquemos essa concretização do amor à maneira do Mestre, desde a preferência pelos marginalizados, passando pela atenção a qualquer que seja o nosso próximo, mesmo que seja um inimigo, até à doação total da vida.

Um amor assim pode parecer impossível ou muito difícil, demasiado exigente. Só é possível amar assim a partir da nossa relação com Jesus Cristo. Cirilo de Alexandria afirmou que a «forma e figura de Cristo é o amor». Quanto mais profunda for a nossa adesão ao Mestre, maior será a nossa aproximação ao irmão. O gesto da fração do pão é eloquente: parte-se para ser repartido; partido e repartido faz de todos um só corpo, um corpo alimentado pelo amor.

Alargar

Aos olhos humanos, parece ser uma grande pobreza, uma vez que a riqueza consiste em juntar, em ter cada vez mais. O amor cristão inverte a lógica da riqueza, pois aumenta na medida em que se torna pobre, se dá aos outros. Eis então outro fruto que alarga o horizonte da missão (cf. GE 67-70): «Quando o coração se sente rico, fica tão satisfeito de si mesmo que não tem espaço para a Palavra de Deus, para amar os irmãos, nem para gozar das coisas mais importantes da vida. Deste modo priva-se dos bens maiores. Por isso, Jesus chama felizes os pobres em espírito, que têm o coração pobre, onde pode entrar o Senhor com a sua incessante novidade. […] Ser pobre no coração: isto é santidade».

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